Victorius Leigus foi a Roma…

Ouvi-me povo lusitano e outros filhos da língua-mãe, pois eu, Victorius Magnus Leigus, vi teatro ao vivo.
Na pacatez cinemática recebi a dádiva de Satelitis e me deliciei com os seus raios londrinos que me mostraram visões longínquas do Teatro Nacional Inglês.

O sol pousava sobre a colina quando desbravei as escadas íngremes e no trono me sentei, qual imperador de quintal, assistindo à tragédia de “Julius Caesar”.
Maior erudito ter-se-ia deslocado ao local da aparição, mas a avareza me domina, a preguiça me confina e luxuria não me patrocina.
A gula é dominada pelo meu semelhante. De requinte refinado e muitas Primaveras vivido, cujos contos de herois crocantes despertam ira.
Então, com pão silencioso e orgulho bebido, sob o invejoso olhar de quem me rodeia, me preparo.
Este é um mar nunca antes navegado por esta pedante alma, cuja cultura alternativa se limita a um bailado parisiense de uma outra romana tragédia. Caligula.

Bustos de renome trouxeram-me a este Panteão. Whishaw, Gairley, Morrissey, oradores que se fizeram soar no fluido inglês shakesperiano.
De compreensão difícil é certo, mas com intensidade que envolve. Todos mestres do seu ofício.
Um César trumpiano, um Cassius em corpo de mulher, diferentes raças e gêneros que elevam a história perante uma audiência complacente.
Não meros vencidos e sentados, mas parte do ambiente que se molda sob vontade do encenador. Legião de braços de um corpo dantesco de som e luz que elevam a façanha.

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Oh povo meu, ouvi-me! Ouçam o meu rugido de louvor pela entrega do texto e capacidade em dar vida a tão volátil palco. Há risos e espantos, mas acima de tudo rendição.
Minha imaginação não ousa desenhar façanha de memorização e debitação de tamanha prosa. Capacidade de posição e temporização. Só admiração.
Almas pequenas fogem da estranha luz destas estrelas, mas a peça puxa com aparência moderna de tão tradicional história.
O poder da retórica diminuído pelo do populismo, o poder das massas exacerbado pela ambição do indivíduo. Poesia dos tempos modernos para quem teima em esquecer a história.

Aos vossos pés me rendo e juro, com os deuses como testemunhas, que esta não será a última trama que me tirará o sono.
Não será a última vez que a mármore almofadada do projectado mausoléu sentirá a minha presença.
A vós peço, não, rogo! Experimentai estes momentos sempre que possível, porque a alma é pequena mas há quem a eleve.
E se mais nada tirarem destas parvas palavras, lembrai isto, pois em verdade vos digo, que a melhor maneira de cozinhar o peixe, é grelhando

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